quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

A mudança vem de dentro

Tenho 35 anos, uma filha de quatro anos, a Júlia, que eu crio sozinha, e sou divorciada. No ano de 2017, percebi que era vítima de mim mesma. Eu nunca
fui preguiçosa e tenho bom humor, às vezes áspero. Era uma gordinha bem resolvida, me sentia uma boneca de porcelana ou uma personagem dos quadros de Botero. Tinha auto-estima elevada, até porque minhas contas estavam pagas e tinha comida na minha mesa, daí é possível notar como meus valores estavam trocados.

Tudo mudou quando fui fazer exames de saúde e descobri que estava com gordura no fígado, colesterol e triglicerídeos altos, IMC enorme, e pré-diabetes. Aí, percebi que ignorava sintomas alarmantes: para controlar as dores no estômago, tomava Omeprazol há quatro anos. Tarefas simples, como arrumar a casa, exigiam cada vez mais esforço e me deixavam cansada. Pensei em minhas responsabilidades com a Julia, o que me deixou desolada. Acredito que o maior golpe da vida é uma criança ou adolescente ficar órfã. Por um filho não existe o que você não faça prazerosamente.
Comecei a trabalhar minha mente, fui a psicólogos e descobri que a mudança vinha de dentro. É preciso ter a mente sã para se ter um corpo cheio de saúde. Aos poucos, aprendi a perdoar, a recomeçar e a praticar o exercício diário da humildade. Estudar é um ato de humildade, afinal somos eternos estudantes. Eu pesquisava médicos conceituados dia e noite. Eu sofro de insônia, então quando falo noite não é sentido figurado.

Descobri o jejum intermitente, ele trazia algo sobre domínio próprio, disciplina, o que eu precisava. Montei meu protocolo, 16 horas de jejum por 8 horas, cai diversas vezes, levantei em todas. Logo depois achei um estudo sobre a Dieta Lowcarb. Achei-a muito barata e eu precisava de algo assim. Tornei-me adepta. Comecei a fazer caminhadas no bairro. 
Antes durante e depois

Lembro que uma vez sonhei em fazer um hit que era assim: 50 minutos, cinco correndo e cinco andando. Fracassei inúmeras vezes. Hoje chego a correr 22kilometros e só não continuo por medo de me machucar. Voltei ao medico, ele se levantou e me aplaudiu. As pessoas não me reconheciam mais, só pela voz, pela risada.

Eu perdi muitas vezes meu guarda roupa, aproveitei pra usar da criatividade, troquei, apertei e fui a brechós. O que me deixou mais feliz foi quando meu pai me viu magra, pois perdi 23 quilos em 56 dias, ele que me alertava há anos e eu não lhe dava a menor atenção. Confesso que aqueles minutos que ele me olhava com tamanha satisfação foram, até hoje, os momentos mais felizes da minha vida. A vida é curta, mas dá para se reinventar muitas vezes e por isto meu melhor prazer é ajudar as pessoas que passaram pelo que passei. 

Todos meus amigos também perderam peso significativamente e, acreditem, vem de dentro. Se você está bem pode colaborar para que todos ao seu lado também estejam. Hoje, sou mais madura, tenho a alma leve, aprendi a comer e cozinhar coisas novas e sou outra mãe. Tenho condicionamento físico pra aguentar o pique que uma criança exige, desenvolvi mais otimismo e paciência para ver as coisas. #vemcomigo